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Documentário de Martin Scorsese sobre Bob Dylan tem várias pegadinhas

Todo fã de Bob Dylan sabe que o artista não gosta de falar muito e adora dar pistas falsas sobre sua vida e motivações. Ainda assim, ele já havia se aberto de forma raramente vista para o cineasta Martin Scorsese no documentário “No Direction Home” de 2005, de forma que não haveria razão para duvidar que o mesmo aconteceria no segundo encontro entre as lendas da música e do cinema.

Mas não é bem isso que se vê em “Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story”, que estreou há poucos dias na Netflix. Sim, é verdade que o cantor e compositor juntou alguns amigos e caiu na estrada parando em muitas cidades pequenas e que essa turnê, ao menos em sua primeira etapa, é de fato é uma das mais marcantes da história do rock.

Mas me tudo que está na tela aconteceu realmente. Se você já viu o filme e quer saber que fatos são esses continue lendo, senão talvez seja mais divertido assistir primeiro e embarcar na viagem proposta pelo diretor, antes de saber o que foi inventado.

Para começo de conversa, todas as imagens de arquivo do filme foram dirigidas pelo próprio Dylan que além da tour também estava empenhado em dirigir um longa que acabou se chamando “Renaldo and Clara” e raramente foi visto depois de sua estreia em 1978. Assim, o tal Stefan Van Dorp que surge no doc. como o autor das filmagens originais, nunca existiu. Quem o interpreta é o ator Martin Von Haselberg.

Outra pegadinha está na figura do promotor do giro. Jim Gianopulos é atualmente o presidente da Paramount, mas jamais trabalhou naquela tour, na época ele ainda estava estudando para ser advogado.

Mais uma? A “tocante” história de Sharon Stone, ainda jovem e desconhecida, ter se juntado à trupe e dito para Dylan que um dia ela seria uma atriz famosa. Tudo isso foi inventado e a foto em que os dois aparecem juntos foi criada digitalmente.

A história de que ele se inspirou no Kiss para usar maquiagem no palco também não é 100% confiável. Se por um lado é verdade que a violista teve um caso com Gene Simmons (o baixista dos mascarados), ela certamente não levou o cantor e compositor para ver a banda em um pequeno local no Queens em Nova York. Primeiro por ela só ter conhecido o cantor e compositor em 1975, ano em que o grupo já estava se apresentando em locais maiores.

Assim, Dylan certamente já tinha ouvido falar no quarteto àquela altura, mas o mais provável é que a verdadeira inspiração esteja mesmo em “O Boulevard do Crime”, clássico do cinema francês de 1945 (veja aqui).

Finalmente, o congressista Jack Tanner também jamais existiu. Na verdade ele é vivido pelo ator Michael Murphy que já havia feito esse papel em 1988 na minissérie “Tanner ’88”, dirigida por Robert Altman.

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